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Queda no índice de cobertura vacinal, é para se preocupar?


Nos últimos anos é bem comum ao abrir um site de notícia nos depararmos com matérias sobre a baixa cobertura vacinal.

Em 2020 o Coronavírus trouxe diversas mudanças para nossa sociedade, mas falar que só ele foi responsável pela queda no índice de cobertura vacinal tem suas controvérsias. Sim, temos índice de queda muito maior que no ano passado se compararmos com o mesmo período em 2020, claramente devido à pandemia, o medo do desconhecido e como estava nas chamadas para isolamento social, fizeram com que as vacinas das crianças e dos adultos fossem adiadas.

O termo cobertura vacinal é a proporção de crianças menores de 1 ano que receberam o esquema completo de vacinação disponível na rede pública. Portanto, os índices são calculados de acordo com os dados gerados pelas gestões municipais para o Ministério da Saúde que tem como resultado até o momento uma queda de 60% com justificativa a pandemia.

O índice de número de vacinados já vinha caindo de 2019, devido ao movimento antivacina. Isso mesmo, um movimento que começou devido a um estudo sem grupo controle (grupo de pessoas com características parecidas, mas que não receberam a vacina de sarampo para comparação) para provar que a vacina de sarampo estava ligada à casos de colite (inflamação intestinal) e a casos de autismo. Este estudo lançado em 1998 deixou suas marcas e amedrontou parte da população mundial. E como percebemos isso? Com a queda nos números de cobertura vacinal, queda nos números de vacinadas nas campanhas e com o aumento do número de casos das doenças já erradicadas ou com controle positivo devido ao uso de vacinas.

Além da dúvida se as vacinas são seguras existem grupos que defendem a não vacinação por questões ideológicas, religiosos e ou culturais. O fato é que esse tipo de movimento sem embasamento científico vem crescendo de forma rápida através das redes sociais, então fique atento quanto às informações disseminadas na web, sempre cheque a fonte e procure por artigos científicos para confirmar aquela informação.

Sabemos ainda, que o ato de não se vacinar ou não vacinar os seus filhos implica em uma ação coletiva e não solitária, expõe a população a um riso talvez não cálculo quando se pensa somente no individual. Médicos especialistas estão preocupados com o aumento dos casos de sarampo e poliomielite no Brasil ligados à baixa adesão às campanhas de vacinação e ao cumprimento do calendário vacinal elaborado pelo Programa Nacional de Imunização PNI.

As Políticas de Saúde Pública relacionadas a estas doenças estão sim voltadas para imunização, com esquemas vacinais já estabelecidos com doses e reforços que foram estrategicamente montados para atender a população e evitar o contágio de doenças que podem levar a morte se não forem tratadas adequadamente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) cerca de 3 milhões de vida são salvas por ano devido à grade de imunização. O Brasil é uma das referências mundiais em imunização com a produção e exportação para mais de 70 países.

O que podemos contribuir é que as vacinas possuem estudos para comprovarem sua segurança, desenvolvem os anticorpos necessários para que o indivíduo vacinado não tenha manifestação dos sintomas da doença em questão, e consequentemente exclui o vetor (indivíduo que carrega o agente causador da doença) da cadeia de transmissão.

Agora é com você busque toda a informação possível sobre suas dúvidas discuta com familiares, médicos, profissionais da saúde que podem te deixar mais confiante quanto ao assunto.

Cuidem -se.

Enfª Marcela Oliveira 
Especialista em urgência e emergência e gestão de pessoas.

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